segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Que barbaridade

Mas báh tchê, hoje vou escrever meu texto contando um pouquinho das gírias lá do sul do Brasil, mais precisamente do povo lá da fronteira do meu estado. Quem não entender nada, não me leve a mal, depois eu deixo tudo em pratos limpos.
Só quem mora pelas'quelas bandas sabe bem o que estou falando, os demais ficarão mais perdidos que cego em tiroteio nessa prosa. Te aprochega vivente! Puxa o mochinho e fica atento que o papo tá só começando.


Por acaso alguém conhece o frio daquela região? Te digo: é um frio de renguear cusco, um convite a lagartear o dia inteiro. De certa feita o melhor mesmo é se entrouxar muito bem e não abrir mão da velha jaqueta que se sobrepõe à todo o resto. O brabo desse frio todo, é levantar de manhãzita e logo ter que sair pra lida, meio mixuruca com tanto frio. Gaúcho odeia sinaleiras intermináveis e acha aquele monte de carros uma tremenda tranqueira, mas fazer o que se a vida espera?


Gaúcho que se preze não deixa ninguém empenhado, faz das tripas ao coração para ver o povo faceiro igual lambari de sanga. Sacode borrachos que adoram dar fiascos pelas ruas e falam que é uma enorme bucha carregar aqueles tapados nas costas. Retossa como louco com seus piás, faz de seu rancho o lugar pra inúmeras carteadas e se, suas visitas estão numa broca desgraçada, acabam fazendo um arroz de carreteiro ou até mesmo, um guizadinho loco de especial.


Adoram festejar qualquer acontecimento, mas quando a gurizada se junta, fazem aquele estrago, e tem aqueles piás que mais parecem ter um bixo carpinteiro no corpo, de tanto que aprontam. Nestas horas o dono do rancho prefere não fazer algazarra nenhuma com o feito e simplesmente se permite apenas pensar que agora sim está lasquiado de vez.


Buenas minha gente, vou parando por aqui...a conversa tá boa, mas eu tô empenhada com umas encrencas. É, tô mal na foto, teve umas criaturas que me atocharam uma mentira e agora preciso resolver de uma vez essa naba que me encontro.


Foi tudo massa, aqui ninguém me cristiou, espero que tenham dado boas gaitadas e numa próxima vez, conto um pouco mais do palavreado bagual.

8 comentários:

Ana disse...

Oigaletê porqueira!!

Renata Miranda Ragagnin disse...

Mas que bah, guria! Adorei esse texto louco de especial!!!

Oigaletêporqueiravéia!

Renata Miranda Ragagnin disse...

Outra coisa xará querida,
faltou falar do amigo chimarrão que nos acompanha de boca em boca e nem "prestamo" atenção. Faltou falar das "batida de carro" ou seriam "pechadas" nas sinaleiras?

Seja como for, linkei teu texto no meu e fiz um "mexido" daqueles louco de bueno!

Depois espia vivente!

Beijo no teu piá.

Flávia Fayet disse...

Buenacho o que tu "acunherou" ai china veia! Ha ha ha... Ah, tu esqueceu d dizer q saudade é pior q prego na bota...

"Semo" bem loco...Loco de Bueno
Mas "temo" veneno na folha da faca
Quando o sangue ferve, e "viremo" a cabeça
Por Deus, paysano...! Ninguém ataca

Nós "semo" loco lá da fronteira
De raça tranqüila, mas de pouca cincha!
E de vereda quando o lombo incha
Saiam de perto, que a xucreza é tanta
Cremo em "percanta" que seja "percanta"
"Apartemo" os "maula" pra outra invernada
E a nossa bebida mais sofisticada
É canha gelada, num "samba com fanta"

Nós "semo" loco, mas não "semo" bobo
"Semo" parceiro de quem é parceiro
Nas horas brabas e no entrevero
Nunca "dexamo" um amigo solito
Pode ser feio... pode ser bonito
Mas é nosso jeito de levar a vida
Por ser de campo e por gostar da lida
É que volta e meia nós "preguemo" o grito... "

Um quebra costela em ti

Liziane Dotto disse...

Adorei! SAudades de casa...
P.S. precisei limpar as lágrimas!!!!!!!!!!!!!!!!!

Beth/Lilás disse...

Ri muito aqui sozinha, imaginando o teu sotaque! Aliás, o sotaque de todas as outras aqui dos comentários, pois são gauchas também.
Tentei ler até em voz alta, dando a entonação sulista.

É muito diferente tudo isso que vc falou, muito regionalista e, garanto que poucas pessoas do resto do Brasil entendem o que vc disse.
Achei fantástica a sua fluência no 'palavreado' e agora entendo porque teu blog chama-se assim.
Perfeito! Muito bom o texto, adorei!

Agora, leia minhas palavras com o meu sotaque:

- Garotiiiiinha, você é demaisssss!

beijinhos cariocas

Pitanga Doce disse...

Tri legalll guria! Adorei! Cheguei aqui pelas mãos da Beth/Lilás. Sempre gostei do Sul e infelizmente o mais longe que fui, foi a Blumenau e isto no "tempo do guaraná de rolha". hehehe

Beijos pitangueiros, do Rio. Se quiser conhecer a árvore, fica à vontade "prenda".

angel disse...

O Rio Grande é um povo singular no Brasil, cada vez que vou para outros estados, volto mais apaixonado pelo nosso estado! Tchê Deus, aqui em Camaquã, os cueras são tudo loko, dãolhe coice na cola!!! São mais faceiro que ganso em taipe da açude mas de vereda fico mais renegado que gato à cabresto! Oigalê gauchada medonha, não é qualquer peleia que nos entreguem pros'home!!!